Vem aí o projeto OMUNGA na Amazônia

Em uma das primeira viagens que fiz ao sertão do Piauí, em 2013, conheci uma criança tão alegre e entusiasmada, que a convidei para conversar um pouco. Ela logo sorriu e se agitou, me contou o seu nome e a sua história: a menina se chamava Maria Luana.

Com um simples sorriso, irradiava toda a sua luz.

Após presenteá-la com alguns livros, perguntei o que ela desejava ser quando crescesse e, naquele momento, percebi que a pergunta a deixou d

esconfortável e sem ação. Seus olhos foram buscar os de sua mãe, percorreram apressados o chão e procuraram o apoio de sua professora. A voz veio depois do olhar se fixar no horizonte, lá para fora da janela da escola, e apenas uma palavra, tímida, se ouviu:

– Lavra.

 

 

A resposta me intrigou e me deixou inquieto. A professora foi quem me explicou que boa parte das crianças daquela região seguem um ciclo parecido. Permanecem na escola até o terceiro ou quarto ano no Ensino Fundamental e, por vários motivos, entre eles o de subsistência ou gravidez precoce, saem da escola para trabalhar na lavra.

Para muitos, é a única ocupação durante a vida.

O olhar puro de Maria Luana e, ao mesmo tempo, brilhante de tanto potencial, me fez refletir sobre como ajudar crianças que vivem nesse contexto. Isso me tirou o sono por meses, até fundar a OMUNGA Grife Social e Instituto, para viabilizar a construção de bibliotecas e potencializar a formação de professores nas regiões de extrema vulnerabilidade social. Regiões tão distantes e isoladas que poucas ou nenhuma organização social atua.

Maria Luana é só uma entre milhões de crianças que vivem em regiões de extrema vulnerabilidade social no Brasil, sem oportunidades de construir sonhos e criar objetivos, além das fronteiras do sertão. São regiões rurais e cidades distantes dos grandes centros. E são alguns destes locais que a OMUNGA está, e quer estar cada vez mais.

Hoje, beneficiamos 4.000 crianças e 350 professores por meio do projeto Escolas do Sertão, que contribui com a qualidade na educação das cidades de Betânia do Piauí e Curral Novo do Piauí, além do projeto Livros para África, presente em Luanda, Capital de Angola.

 


 

OMUNGA na Amazônia

O terceiro projeto da OMUNGA tem o objetivo de potencializar a educação cultural em uma das cidades mais longínquas e vulneráveis do país: Atalaia do Norte.

Localizada no interior do estado do Amazonas, na fronteira com o Peru, Atalaia do Norte ocupa a 5563ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros, segundo o IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal.

Desde 2011, o IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica neste município vem evoluindo. Em 2011, o índice a rede pública, considerando todas as séries, apontava para 2,6 e, em 2017, a média foi de 4,5. Mesmo que o número tenha praticamente dobrado, está muito abaixo do que é considerado ideal para que crianças possam fomentar uma vida com mais liberdade, autonomia e direito de escolha.

O contexto do município de Atalaia do Norte representa o perfil de regiões que a OMUNGA deseja beneficiar. Uma entre centenas de cidades distantes, isoladas, com indicadores sociais em patamares alarmantes. São milhares de “Marias e Luanas” aguardando por uma oportunidade que, muito possivelmente, eu e você tivemos de sobra.

Nós acreditamos que toda criança, independentemente de onde esteja, possui direito a educação de qualidade, ao acesso à maior quantidade de livros possível, e professores que se sintam assistidos, motivados e instrumentalizados para se manter conectados com suas maiores e melhores potencialidades que sua profissão exige.

Também percebemos que, por questões de distância e dos recursos necessários para chegar nesses locais, pela coragem e desbravamento “extra” que são necessários para atuar em regiões nesses contextos, milhões de crianças acabam aprisionadas numa vulnerabilidade que as impede de construir os seus sonhos e fortalecer suas potências para realizá-los.

Assim, o projeto OMUNGA na Amazônia tem como objetivo promover e desenvolver formação de professores durante dois anos para potencializar o hábito da leitura, ampliando o repertório cultural da comunidade e a visão de mundo para além das fronteiras amazônicas e resultando em mais autonomia, liberdade e poder de escolha. Além de viabilizar uma biblioteca que no município ainda não existe.

Nesse projeto, serão atendidas 2.000 crianças e 200 professores em dois anos de projeto.

E, além do acervo de livros que será criado para a primeira biblioteca do município, haverá distribuição de livros para as escolas, incluindo obras em braille. Será produzido também um documentário de média metragem para que as atividades pedagógicas realizadas durante o projeto possam serem replicadas por todo o Brasil.

 

 

O projeto OMUNGA na Amazônia será viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, que é o principal mecanismo de fomento à cultura no Brasil. Na prática, os cidadãos (pessoas físicas que apresentam declaração de Imposto de Renda completa) e as empresas (pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real) têm a possibilidade de direcionar parte de seu Imposto de Renda devido para projetos e ações culturais. Ou seja, podem escolher onde desejam aplicar uma parcela do seu IR, vinculando-se a causas nas quais acreditam.

Só em 2017 foram mais de cinco mil projetos aprovados e o valor captado chegou a R$ 1,156 bi.

Acionar a Lei de Incentivo à Cultura para viabilizar os projetos da OMUNGA vem ao encontro do nosso objetivo de diversificar os meios de captação de recursos e ter acesso a investimento de pessoas e empresas que acreditam no poder da educação.

Se você trabalha em alguma empresa que realiza investimentos por meio da Lei de Incentivo à Cultura, faça contato conosco! Nosso e-mail é [email protected]

 

Juntos, podemos ajudar a escrever novas histórias para milhares de crianças no Brasil e no mundo, potencializando o senso de humanidade que sinaliza o que temos de melhor: nosso engajamento, nossa solidariedade e nosso espírito colaborativo!

Você e a sua participação podem ser o fator determinante para mudar a vida de milhões de crianças no Brasil e no mundo!

Porque, afinal, sabe o que a Maria Luana quer?

Ela quer todas as crianças fora da lavra.

Ela quer o melhor para todas as crianças.

E você pode ajudá-las.

Contamos com você!

MUITO OBRIGADO!

Por Roberto Pascoal, Empreendedor Social e Fundador da OMUNGA Grife Social e Instituto com a contribuição de Polly Niehues, assessora de imprensa voluntária.