Neste mês de abril estivemos em Betânia do Piauí e Curral Novo, duas cidades beneficiadas pelo projeto Escolas do Sertão, promovido pela OMUNGA Grife Social e agora também pelo Instituto OMUNGA.

Estávamos dois anos sem voltar ao sertão do Piauí por questões financeiras e dificuldades de engajamento junto ao poder público (houve mudança nos representantes municipais desde o início do projeto – eleições de 2016).

O que encontramos ao visitar os locais do projeto Escolas do Sertão?

Neste meio tempo, nosso sentimento oscilou entre motivação e sensação de alerta. Motivação ao perceber que nossos propósitos permanecem vivos na lembrança de crianças, professores e outros membros comunitários. Principalmente, quando recordaram do que fizemos e dos voluntários que lá estiveram para realizar formação de professores.

Pudemos percebemos a aplicação do que foi aprendido, com novas atividades pedagógicas implantadas e a leitura fazendo parte do dia a dia dos alunos.

dez pessoas sentados em meia lua conversando sobre o projeto escolas do sertão ao pôr do sol

Ficamos também motivados quando vimos que muitos professores mantêm o espírito protagonista ao invés de um comportamento conformista e vitimista diante de sua realidade.

Ouvimos relatos de professores que estão retomando os estudos em cursos de pós-graduação, mestrado e também de alunos desejando estudar com afinco para se tornarem advogados, professores. Além de vários outros interessados em se aprofundar nas manifestações artísticas (teatro, música, desenho), ao invés de limitar-se ao trabalho na lavra, aumentado a evasão escolar.

dez crianças com camisas amarelas encima da traseira de uma caminhonete em movimento

Contudo, a sensação de alerta se fez presente por conta da preocupação de muitas famílias com o fechamento de escolas. Essa situação gerou a necessidade de deslocamento das crianças para estudar em outras regiões rurais, o que vem sendo feito com risco, em veículos irregulares denominados “pau de arara”. Além disso, os professores dizem estar sem estímulos, pois não se sentem assistidos e motivados.

Participar da construção desse equilíbrio é desafiador e ao mesmo tempo nobre.

Os desafios

quatro pessoas ao redor da mesa falando sobre o projeto escolas no sertão

Os desafios ainda são muitos, pois envolve questões que não dependem só de recursos financeiros, voluntários tecnicamente qualificados ou de nosso desprendimento para ir até regiões distantes e isoladas.

Depende muito mais do desejo da comunidade escolar e de sua determinação em melhorar a situação atual. Depende dos professores se colocarem como agentes de mudanças, empregando suas potencialidades nesse movimento.

Depende do poder público, em um inquietante desejo de inovação, priorizar a educação com objetivos claros, ações precisas e resultados mensuráveis.

Além disso, é fundamental realizar investimentos para potencializar professores como principais ferramentas de transformação. Eles precisam se sentir assistidos, motivados e atualizados para que atuem com qualidade, gerem curiosidade crítica e uma visão de mundo além das fronteiras do sertão.

E depende também das famílias, de romperem com o conformismo sobre as crianças saírem da escola para atuar na lavra ou por conta da gravidez precoce, e fortalecerem a orientação aos estudos como forma de criar uma vida com mais liberdade, autonomia e oportunidades.

5 pessoas sorrindo sentadas ao redor de uma mesa conversando sobre o projeto escolas do sertão

Sobre esses desafios, sabemos que a OMUNGA pode apresentar novos caminhos. Podemos, a partir de uma análise histórica, cultural e contextual, propor novas formas de ver e atuar na realidade. Entretanto, as escolhas e as mudanças ficam a cargo de cada um e da comunidade como um todo.

Mesmo com tantos desafios a serem vencidos, nós não desistiremos de nenhum deles e vamos continuar trabalhando para a transformação do mundo por meio da educação.

Roberto Pascoal

Empreendedor Social

E-mail: roberto.pascoal@omunga.com